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O Manifesto de Jesus

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(Mateus 5:1-12)

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Nos últimos tempos tenho vindo a reflectir sobre as implicações práticas de seguir Jesus no século XXI, o que me levou ao Sermão do Monte e em particular às Bem-aventuranças, que contêm a essência do ensino do Senhor.

 

As qualidades apresentadas neste texto não são simples sugestões de conduta, mas mandamentos do Senhor para cada um dos Seus discípulos. Tal como o fruto do Espírito, devem ser exibidas na totalidade. Não se destinam a uma elite de crentes “superespirituais” ou apenas aos pastores e líderes da igreja, mas a todos os que entregaram as suas vidas ao Senhor Jesus e que desejam ser Seus discípulos.

 

A palavra “bem-aventurados” provém do grego makarios e é por vezes traduzida por “felizes”. No entanto, o significado mais preciso será “abençoados” ou “afortunados”. Quem pode estar feliz quando chora, quando sofre ou é perseguido? A felicidade é subjectiva, varia de pessoa para pessoa e está dependente das circunstâncias, enquanto a bênção de Deus é uma promessa e uma certeza, não apenas para a vida futura mas para o presente.

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Abençoados os humildes (ou pobres) de espírito

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Jesus não se está a referir aos pobres do ponto de vista socioeconómico. Ainda que por vezes a riqueza e prosperidade material possam ser um obstáculo para a comunhão com Deus, não há aqui nem em outro lugar das Escrituras a revelação de que os materialmente pobres serão, por esse motivo, mais abençoados por Deus. A expressão pobres ou humildes de espírito também não se refere aos incultos e ignorantes, às pessoas com pouca instrução nem aos que apresentam algum atraso mental. A pobreza de espírito é uma condição espiritual indispensável para a entrada no Reino de Deus. Significa reconhecermos a nossa pobreza e fracasso espiritual perante os elevados padrões de conduta que um Deus santo e perfeito requer, tal como o cobrador de impostos que dizia: “ó meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador” (Luc. 18:13).

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Abençoados os que choram

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Não se trata de um choro qualquer mas de uma tristeza profunda, como quando passamos por um processo de luto pela perda de alguém que amamos. Resulta de reconhecermos a dimensão e gravidade do nosso pecado e do pecado dos outros (cf. Sal. 139:136). É o sentimento de vazio, de falta de sentido na vida, que tem levado muitos ao suicídio ou à loucura e que só Deus pode satisfazer. Como dizia Pascal, “o coração humano tem um vazio com a forma de Deus”.

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Abençoados os mansos

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Na Bíblia o adjectivo “manso” é usado para descrever o carácter de duas pessoas: Moisés (Núm. 12:3), que desafiou o poderoso faraó, e Jesus (Mat. 11:29), que se submeteu voluntariamente à tortura e humilhação de cruéis soldados romanos mas não se vergou perante o governador Pilatos. A mansidão não significa fraqueza, cobardia ou timidez, mas humildade, obediência e autocontrolo. Tal como um cavalo amestrado, acerca do qual dizemos que é manso porque é submisso e obedece ao dono, não porque seja fraco, do mesmo modo os mansos a que Jesus se refere são pessoas que se submetem voluntariamente à vontade de Deus e são dirigidas pelo Seu Espírito.

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Abençoados os que têm fome e sede de cumprirem a vontade de Deus

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Ter este tipo de fome e sede de que Jesus fala é algo que poucos de nós já experimentámos, mas que os discípulos de Jesus conheciam bem. Significa estar tão desesperadamente à procura de água ou de alimento (p. ex. no deserto), que todas as outras coisas deixam de ter importância. As necessidades fisiológicas como comer, beber e dormir encontram-se na base da célebre pirâmide de Maslow, antes de outas necessidades como a segurança ou a realização pessoal. Termos fome e sede de cumprirmos a vontade de Deus é o desejo ardente de vermos o Reino de Deus a ser estabelecido à medida que as pessoas conhecem Jesus como Salvador e Senhor das suas vidas.

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Abençoados os misericordiosos

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São muitos os textos das Escrituras que se referem à misericórdia de Deus, bem como à necessidade de perdoarmos os outros como Cristo nos perdoou. O Senhor comunicou aos seus discípulos que lhes estava a transmitir um mandamento novo no que se refere ao amor: “amem-se uns aos outros. Assim como eu que vos amei, é preciso que se amem também uns aos outros. Se tiverem amor uns aos outros, toda a gente reconhecerá que são meus discípulos” (João 13:34-35). Este amor compassivo inclui o cuidado para com os mais fracos e vulneráveis, que têm necessidade de alimento, de roupa e de conforto na doença ou na prisão, e vai além do ensino tradicional judaico, pois inclui o amor pelos inimigos. Foi o anseio de cumprir a vontade de Deus e o amor para com os outros que levou à criação dos primeiros hospitais e orfanatos, à abolição da escravatura ou ao desenvolvimento da Medicina Paliativa, por iniciativa de cristãos comprometidos com Deus.

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Abençoados os limpos de coração

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Os limpos ou íntegros de coração são pessoas sinceras no seu relacionamento com Deus e com os outros. Não colocam máscaras porque não têm nada a esconder. Não têm de provar nada porque sabem que não são nada sem Deus (são espiritualmente pobres). São pessoas que não se comportam de uma forma na igreja e de outra a nível familiar ou profissional mas que, sejam quais forem as ocasiões e circunstâncias, procuram viver com uma consciência pura perante Deus.

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Abençoados os que são perseguidos

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Apesar dos nossos esforços para que as pessoas se reconciliem umas com as outras e com Deus, alguns irão opor-se. Cada cristão deve esperar oposição, que resulta de nos identificarmos com Jesus e proclamarmos a Sua divindade e exclusividade como o único caminho para Deus. Nunca houve nenhuma outra época da história em que mais crentes fossem perseguidos, por causa da sua fé em Cristo, do que nos nossos dias. E a hostilidade vai aumentar, à medida que nos aproximarmos do fim dos tempos.

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Conclusão

 

No Sermão do Monte, o Senhor coloca-nos o desafio de vivermos segundo os elevadíssimos padrões e valores eternos de Deus e não segundo as ideologias e sistema de valores deste mundo. É um desafio para cada verdadeiro discípulo de Jesus, em todos os lugares, em todas as culturas e em todas as épocas da história. Não podemos apresentar estas qualidades pelas nossas próprias forças ou esforços, mas somente pela graça de Deus e pela ação do Espírito Santo, seguindo o exemplo do nosso Senhor Jesus, que manifestou cada uma destas virtudes em abundância.

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